Preço das casas é uma das principais vulnerabilidades do sistema financeiro português Apesar da forte subida dos preços das casas em Portugal e das dificuldades de acesso à habitação, os testes realizados pelo FMI indicam que a banca portuguesa apresenta atualmente capacidade para resistir mesmo a cenários de correção significativa dos preços imobiliários. O principal desafio passa agora por acompanhar a... 23 set 2026 min de leitura O aumento do preço das habitações em Portugal está a ser acompanhado com atenção pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), que considera o mercado imobiliário uma das principais vulnerabilidades futuras para o setor financeiro português. Segundo o FMI, os preços das casas em Portugal aumentaram 169% desde 2015, enquanto, no mesmo período, a subida na zona euro foi de cerca de 55%. Apesar da forte valorização, o organismo considera que os riscos imediatos para o sistema financeiro permanecem controlados. O endividamento das famílias portuguesas continua abaixo da média da zona euro, embora apresente atualmente uma tendência de crescimento. O FMI alerta, por isso, para a importância de acompanhar de perto a evolução do crédito à habitação e dos preços no mercado imobiliário. Durante uma conferência realizada pelo Banco de Portugal, o FMI revelou ainda que foram realizados testes de resistência ao setor bancário, incluindo um cenário em que os preços das casas sofreriam uma queda de 40%. De acordo com os resultados apresentados, os bancos portugueses demonstraram capacidade para absorver este tipo de choque. Apesar desta resiliência, o FMI considera importante manter uma monitorização próxima dos riscos associados ao mercado imobiliário, sobretudo num contexto em que o recurso ao crédito à habitação voltou a ganhar força. Acessibilidade à habitação continua a ser um desafio Para o FMI, um dos principais desafios atuais é a acessibilidade à habitação. Entre as medidas apontadas está o aumento da oferta de casas, de forma a responder ao desequilíbrio existente entre a procura e a oferta. A responsável do FMI destacou também a importância de garantir que os apoios públicos destinados à habitação chegam sobretudo às famílias que deles mais necessitam. Paulo Macedo, presidente executivo da Caixa Geral de Depósitos, sublinhou igualmente a relação entre o mercado imobiliário e o emprego. Segundo o responsável, o atual nível reduzido de desemprego constitui uma importante proteção perante eventuais dificuldades no setor da habitação. Ainda assim, reconheceu que os preços dos imóveis continuam a subir e poderão manter essa tendência enquanto existir uma diferença significativa entre a procura e a oferta. Banca portuguesa está mais preparada para enfrentar choques O governador do Banco de Portugal, Álvaro Santos Pereira, destacou que o sistema financeiro português apresenta atualmente uma maior capacidade para enfrentar períodos de instabilidade. Segundo o governador, a banca portuguesa passou por profundas transformações nas últimas duas décadas, atravessando a crise financeira global, a crise da dívida soberana, a pandemia e outros períodos de forte turbulência económica. Atualmente, o sistema financeiro dispõe de maiores mecanismos de supervisão, gestão de risco e proteção, estando, de acordo com o Banco de Portugal, mais preparado para responder a eventuais choques. Ainda assim, o governador deixou um alerta: a resiliência do sistema financeiro não é garantida de forma permanente e deve continuar a ser reforçada através de uma gestão adequada dos riscos e de uma adaptação constante às mudanças económicas. Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado