Habitação exige uma resposta integrada e sustentável A secretária de Estado da Habitação defendeu que a crise da habitação só poderá ser resolvida com um planeamento mais eficaz, maior colaboração entre os diferentes intervenientes e um reforço da oferta de habitação acessível. Destacou ainda que as necessidades habitacionais evoluíram e exigem respostas mais diversificadas... 10 jun 2026 min de leitura Durante a apresentação do livro 108 Vozes pela Habitação, realizada na Feira do Livro de Lisboa, a secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, destacou que a crise habitacional não pode ser analisada de forma isolada. Segundo a governante, trata-se de um desafio complexo, influenciado por fatores como a economia, a mobilidade, o ordenamento do território, a tecnologia e as políticas públicas. Na sua intervenção, defendeu que, ao longo dos últimos anos, faltou uma estratégia de longo prazo e uma maior capacidade de coordenação entre os diferentes intervenientes do setor. Para a responsável, é essencial aprender com os erros do passado, preservar as boas práticas e desenvolver soluções mais eficazes e sustentáveis. Patrícia Gonçalves Costa salientou ainda que Portugal tem respondido, muitas vezes, às questões da habitação através de medidas pontuais e motivadas por situações de emergência, o que resultou em políticas fragmentadas e com impacto limitado. Entre as iniciativas em curso, destacou a identificação de 14 imóveis devolutos do Estado, que poderão dar origem, previsivelmente, a cerca de cinco mil habitações acessíveis através de contratos de concessão. Referiu também que, entre 2024 e 2025, foram transferidos 74 imóveis do Estado para 48 autarquias, representando um investimento de 62 milhões de euros. A governante reforçou que o Estado deve assumir um papel ativo na disponibilização de património público para habitação, sublinhando que, quando o mercado não consegue responder às necessidades da população, é fundamental que exista uma resposta pública eficaz. No capítulo que assina no livro, Patrícia Gonçalves Costa defende igualmente que a qualidade da habitação deve estar presente em todas as fases do processo de construção. Considera que o parque habitacional público ainda enfrenta desafios relacionados com a qualidade arquitetónica, os materiais utilizados e a integração urbana, defendendo uma oferta mais moderna, funcional e adaptada às necessidades atuais. Por fim, chamou a atenção para a mudança do perfil de quem procura habitação pública. Atualmente, além das famílias economicamente mais vulneráveis, são também muitos jovens, seniores, famílias monoparentais e elementos da classe média que necessitam deste tipo de resposta, o que exige novas soluções habitacionais e políticas mais ajustadas à realidade do país. Partilhar artigo FacebookXPinterestWhatsAppCopiar link Link copiado