A eurodeputada Irene Tinagli, presidente da Comissão Especial sobre a Crise da Habitação na União Europeia (HOUS), afirmou que a crise habitacional em Portugal é “severa” e resulta de vários fatores combinados, incluindo a escassez de habitação pública, o aumento do turismo e o investimento especulativo.

Durante uma conferência de imprensa em Lisboa, Tinagli explicou que, embora a dificuldade de acesso à habitação seja um problema em toda a Europa, em Portugal todos os fatores contribuem de forma significativa para agravar a situação. Destacou ainda que apenas cerca de 2% do parque habitacional português é público, um dos índices mais baixos da União Europeia.

A eurodeputada sublinhou a necessidade de continuar os investimentos, mesmo com os desafios de utilizar os fundos do PRR antes do fim do programa, propondo ajustes em projetos existentes para alcançar os objetivos previstos. O PRR prevê a entrega de 26 mil novas habitações públicas, mas até ao final de 2025 apenas 17 mil estavam disponíveis, em grande parte resultantes de reabilitação e não de construção nova.
Tinagli abordou também o tema dos arrendamentos turísticos de curta duração, que continuam a ser controversos em Portugal e podem demorar a ser regulamentados para aliviar a pressão habitacional.

A visita da Comissão HOUS contou ainda com os eurodeputados João Oliveira, Daniel Buda e Georgiana Teodorescu, que se reuniram com responsáveis do governo português, incluindo a secretária de Estado da Habitação e o secretário de Estado do Planeamento e Desenvolvimento Regional, para avaliar as respostas à crise habitacional no país.